segunda-feira, 16 de julho de 2012

Cachaceiro é cachaceiro



Quando a cachaça era bebida de negro e subia para a cabeça, quando se entornava muito, dizia-se embriaguez, bebedeira, mona, porre, pifão, puxando-um-fogo e que tais. Estes designativos que menosprezam os apreciadores da cachaça, com a entrada dos brancos para o cordão da "branquinha" tudo se modificou: — uma dose de cachaça é uma "batida"; um porre de cachaça é uma crise etílica passageira; um cálice de cachaça na mesa de um bar chique chama-se abrideira; um coquetel à base de cachaça antes de um jantar chique chama-se aperitivo.                                                    
 Quando um bebedor de cachaça excede-se na bebida das "batidas", sobrevém o pifão, na linguagem popular. Mas, se o bebedor de cachaça é grã-fino o fato anormal não se chama pifão, o nome técnico chama-se intoxicação etílica. Até entre as classes sociais há diferenciação entre os termos dos cachaceiros.

quinta-feira, 12 de julho de 2012


FORMAÇÃO DE PROFESSORES NA ÁREA DE HISTÓRIA: ENTRE PRÁTICAS E DISCURSOS.
Rodrigo Lemos Simões

Palavras-chave: educação, formação, práticas, discursos.

Este texto traz algumas reflexões a respeito das vivências do autor enquanto professor nas disciplinas de Estágio Supervisionado no Curso de Licenciatura em História, as experiências na formação dos estagiários ao longo da graduação, suas vivências prévias e o contato com os alunos da Educação Básica. Buscamos na bibliografia especializada, entre autores que trabalham a temática da formação de professores, sejam eles pedagogos ou historiadores, subsídios para compreensão do que significa a formação docente em prol de uma prática reflexiva, estabelecendo paralelos entre os discursos e as práticas educativas de profissionais com formações diferenciadas. 
O primeiro ponto a ser trabalhado é algo que a muito nos chama atenção. A experiência como orientador nas disciplinas de estágio, nos possibilitou constatar que existe uma demasiada preocupação dos acadêmicos com o domínio dos conteúdos específicos, e uma incapacidade de relacioná-los com os concebidos nas disciplinas pedagógicas e, assim, transmiti-los ao nível de compreensão dos seus alunos. Para os acadêmicos do Curso de História, dominar os saberes específicos, de alguma forma parece representar a garantia de sua capacidade de atuação.
Respeitando os lugares e os momentos históricos diferentes em que foram e são constatados vários problemas na formação inicial dos professores de história, observa-se a permanência de um choque de realidade entre a formação acadêmica e a realidade da prática de ensino nas escolas. Tais problemas se evidenciam não só durante o estágio curricular, mas também nos primeiros anos da carreira de professor iniciante, como aponta Tardif:
Os cursos de formação para o magistério são globalmente idealizados segundo um modelo aplicacionista do conhecimento: os alunos passam um certo número de anos a assistir a aulas baseadas em disciplinas e constituídas de conhecimentos proposicionais. Em seguida, ou durante essas aulas, eles vão estagiar para aplicarem esses conhecimentos. Enfim, quando a formação termina, eles começam a trabalhar sozinhos, aprendendo seu ofício na prática e constatando, na maioria das vezes, que esses conhecimentos proposicionais  não se aplicam bem na ação cotidiana.
(TARDIF, 2002, p.270)

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Situações postas à História


Resumo

O objetivo principal do artigo é refletir sobre a história como conceito e como prática, além de interrogá-la como crença socialmente compartilhada. Nessa longa história de uma crença, com seus tempos de certeza e outros de dúvida, dois momentos serão privilegiados neste artigo. Em primeiro lugar, os meados do século XX, quando, logo após o fim da Segunda Guerra Mundial, a evidência da história será rapidamente reafirmada. Em segundo lugar, o momento atual, encarado como aquele em que a evidência se esfuma e em que a crença se fissura. Tratar-se-á, portanto, de refletir sobre a resistência de um dos conceitos centrais do mundo moderno e de algumas de suas transformações.

sábado, 7 de julho de 2012

O lunário perpetuo


Documentos antigos:
O lunário perpetuo é uma fonte de pesquisa história muito importante, que possibilita uma (re)leitura acerca do imaginário, sobretudo do sertanejo. Este livro aborda de forma sistematizada aspectos das “previsões meteorológicas”, como também se preocupava com o cotidiano das famílias. Na edição de 1912, constatamos informações preciosas acerca da saúde, ciência, educação e bons modos. a obra foi adquerido por José Francisco de Oliveira, no ano de 1919.  


Conforme cita MACEDO, a primeira edição desta obra é de 1703 e “por dois séculos o livro mais lido nos sertões do Nordeste, informador de ciências complicadas e astrologia, dando informações sobre horóscopo, rudimentos de físicas, remédios estupefacientes e velhíssimos. Não existia autoridade maior para os olhos dos fazendeiros e os prognósticos meteorológicos, sem maiores exames pela diferença de hemisférios, eram acatados como sentença”.
(MACEDO, Muirakytan Kennedy de Macedo. A penúltima Versão do Seridó. Natal, 2005. 


quinta-feira, 5 de julho de 2012

O ensino de História no século XXI


*Entrevista com a Professora Keila Gringber acerca do ensino de história.

revistapontocom – O que hoje não se pode deixar de ensinar, na área de História do Brasil, na Educação Básica?

Keila Gringber - O ensino de História melhorou nos últimos tempos, e muito. Temos à disposição mais e melhores livros didáticos, bem como uma infinidade de recursos para usar em nossas aulas. Incorporamos novos temas, e nos aproximamos mais da realidade dos nossos estudantes. No geral, não precisamos mais seguir um currículo pré-determinado, podendo adaptar os conteúdos às especificidades das escolas e dos alunos. Mas ensinar História continua sendo um grande desafio. Ainda damos aula como se dava há cem anos atrás, à base da voz, do giz ou do pilot, e geralmente usamos a tecnolog ia como uma bengala para ilustrar nossas aulas, não como uma forma de introduzir uma nova relação com o conhecimento.

revistapontocom – O que é preciso ser aprendido, na área de História do Brasil, pelos alunos na Educação Básica?

Keila Gringber – Ao contrário de disciplinas como Português ou Matemática, ainda seguimos tendo que explicar por que História é importante. Estudar História é tão importante quanto qualquer outra ciência: o mais importante não é o conteúdo em si, mas compreender como tal conhecimento foi sendo construído por gerações e gerações de seres humanos; e que, como toda criação humana, ele é sempre datado e imperfeito.

revistapontocom – Qual é o principal desafio de se ensinar História do Brasil, nos dias de hoje, para os alunos na Educação Básica?

Keila Gringber – Mais que tudo, ainda não sabemos bem como despertar no aluno o interesse pela história. Talvez contando algumas, sentando na cadeira de balanço como faziam nossos avós, seja uma boa ideia.

revistapontocom – Se ensina História do Brasil, nos dias de hoje, da mesma forma que se ensinava no final do século XX? Se algo mudou, o que mudou e por quê?

Keila Gringber – Embora tenhamos substituído o ensino conteudista por aulas mais problematizantes, ainda nos vemos às voltas de como fazer com que nossos alunos vivenciem o conceito de tempo, central para a nossa disciplina e tão abstrato para jovens e crianças. Queremos que eles sejam capazes de formular questões sobre o passado, mas em geral negligenciamos o interesse das crianças por batalhas, roupas e outros detalhes que nós, professores, consideramos pouco importantes. Se conseguirmos que eles compreendam que não há mal que nunca perdure nem bem que nunca se acabe, teremos avançado um bocado. Não acho que isto seja pouca coisa. Com certeza os alunos têm muito o que aprender. Nós, os professores, mais ainda.


quarta-feira, 4 de julho de 2012

História do Brasil em Cronologia


HISTÓRIA DO BRASIL EM CRONOLOGIA

22/04/1500 - Expedição chefiada por Pedro Álvares Cabral, com dez naus, três caravelas e 1.500 homens a bordo, chegou no litoral da Bahia, avistou um monte que chamou de Monte Pascoal. No dia seguinte, a expedição aportou na Baia Cabrália, onde celebrou a primeira missa no território descoberto, que foi chamado de "Terra de Vera Cruz". O território era, então, habitado por cerca de 8 milhões de indígenas. Um relato sobre a terra encontrada é enviada ao Rei de Portugal, a Carta de Pero Vaz de Caminha.
1500-1530 - Não houve por parte de Portugal, intenção de ocupar o território, mas uma ocupação móvel, onde os portugueses percorreram a costa brasileira para defender a posse da terra e, eventualmente, fundaram modestas feitorias, entrepostos de troca do pau brasil – madeira para tinturaria bastante citada nos mercados europeus. Os indígenas forneceram a mão de obra para derrubar, descascar, atorar, transportar os troncos, que eram armazenados nas três feitorias fundadas, aguardando as naus que os levaria à Holanda.
1532 - Portugal e Espanha dividiram entre si os territórios conquistados pelo Tratado de Tordesilhas (1494), mas os franceses não aceitaram a validade jurídica do mesmo e ocuparam vários pontos do litoral brasileiro. Em resposta, a Coroa Portuguesa fez sua primeira tentativa para colonizar o Brasil; utilizando sua longa experiência na África e em Portugal, na Reconquista, implantou as Capitanias Hereditárias, dividindo o território em quinze faixas horizontais de terra, com cerca de 350 km de largura, que se iniciavam no litoral e terminavam no interior, na linha imaginária do Tratado.
1549 - Fracassado o projeto das Capitanias Hereditárias, a Coroa Portuguesa faz a segunda tentativa para controlar o território, com a criação do I Governo Geral, nomeando Tomé de Souza para primeiro governador geral.
1549-1553 - Os conflitos entre portugueses e indígenas foram uma constante desde o início da colonização. Tomé de Souza se aliou aos tupís e declarou guerra às outras etnias, escravizando os vencidos. Os jesuítas que desembarcaram com Tomé de Souza foram os únicos protetores dos índios; impediram a escravidão, mas a aplicação de uma moral rígida e militar, desrespeitou as tradições e a cultura indígena.
1553-1558 - Duarte da Costa, segundo governador geral, consolida o projeto de colonização, introduzindo a produção do açúcar.
1558-1572 - Mem de Sá, terceiro governador-geral, inicia a expulsão dos franceses, que tinham ocupado o Maranhão e o Rio de Janeiro.
1572 - As dificuldades para administrar o território, devido à distância entre o nordeste e o sul da Colônia, descentralizou os centros de controle, que passaram a ser realizados em duas cidades: Salvador e Rio de Janeiro.
1580-1640 - A anexação da Coroa portuguesa à espanhola, trouxe grandes prejuízos para o Brasil; a Holanda, antiga aliada dos portugueses, se transformou em inimiga, atacando e ocupando grandes faixas do litoral brasileiro, onde construíram fortes e fundaram cidades como a Cidade Maurícia (Recife).
1612-1616 - A expulsão dos franceses na costa norte permitiu que a região iniciasse um desenvolvimento econômico autônomo; o controle de seu litoral foi garantido com (re)fundação da cidade de São Luiz do Maranhão (1612) e a fundação de Belém do Pará (1616).
1620 - Os holandeses fundam a Cia. das Índias Ocidentais, com objetivos militares e comerciais, que promoveu ataques e ocupações nas colônias portuguesas e, principalmente, no Brasil.
1645-1654 - Os portugueses iniciam uma guerra contra os holandeses, que termina na expulsão destes últimos. Retomaram Recife nas Batalhas dos Guararapes e reduziram a presença dos holandeses a alguns fortes no litoral do nordeste.
1690 - Início da corrida e da ocupação da região das Minas Gerais em busca do ouro.
1707 - Guerra dos Emboabas, conflito dos paulistas e dos índios, liderados por Borba Gato, contra uma coligação de portugueses e de baianos (os emboabas), que saíram vitoriosos na posse do ouro das Minas Gerais.
1709-1710 - A Coroa reforçou o controle na zona de mineração com a separação das capitanias de São Paulo e Minas Gerais e a construção, no ano seguinte, da primeira estrada que uniu essa zona com o Rio de Janeiro.
1711 - Guerra dos Mascates, conflito que envolveu portugueses e índios (os mazombos), contra os comerciantes, chamados de mascates.
1718-1722 - Os paulistas, expulsos das Minas Gerais após a derrota na Guerra dos Emboabas, se adentraram pelo sertão de Goiás e Mato Grosso onde encontraram o ouro.
1744 e 1748 - Foram criadas as capitanias de Goiás e Mato Grosso.
1750 - Portugal e Espanha assinaram o Tratado de Madri para solucionar os conflitos nas "fronteiras de guerra" com o Mundo Hispânico; pelo tratado, a Coroa portuguesa entregou à espanhola as terras da margem ocidental do Rio da Prata e recebeu da Espanha a região Amazônica, Mato Grosso, Goiás e Rio Grande do Sul.
1750-1777 - O Marques de Pombal, obedecendo as diretrizes do iluminismo ilustrado, promoveu uma reestruturação administrativa na Colônia, visando a centralização do poder. Suas estratégias foram: a) finalizar a incorporação das capitanias à Coroa; b) promover uma ambiciosa política de urbanização e de controle das fronteiras que atingisse todo o território e; c) transferir a capital de Salvador para o Rio de Janeiro (1762), e dotar a cidade de melhorias urbanas e novas edificações públicas similares às de Buenos Aires e das cidades européias; d) elevar a Colônia à condição de Vice-Reino; e) estimular a diversificação da agricultura e o desenvolvimento da incipiente indústria colonial.
1785 - D. Maria, rainha de Portugal, afastou Pombal e emitiu um alvará proibindo qualquer tipo de indústria no Brasil, golpeando a siderurgia desenvolvida em São Paulo e as modestas tecelagens de Minas Gerais e do Pará.
1792 - Ocorre a Inconfidência Mineira, primeiro movimento pela independência do Brasil, influenciado nos ideários da Revolução Americana (1776) e da Revolução Francesa (1789). A resposta da Coroa foi a devassa, repressão que condenou à morte e ao degredo os principais líderes do movimento, como Tiradentes que foi enforcado e esquartejado.
1800 - Quando se encerrou o século XVIII, a população total brasileira atingia cerca de três milhões de habitantes. Salvador, a cidade mais populosa do Brasil, tinha 50 mil moradores, além dos 15 mil que habitavam em seus subúrbios; a capital, o Rio de Janeiro, tinha atingido 40 mil habitantes; Ouro Preto, que alcançara 30 mil em meados do século, com a decadência do ouro possuía apenas 20 mil habitantes, seguida de Cuiabá, Belém e São Luíz com 10 mil moradores.
1808 - A transferência da Corte portuguesa, para fugir das ameaças das Guerras Napoleônicas, trouxe vantagens para a nova Colônia-Reino: a) abriu os portos brasileiros para todas as nações; b) reformou e remodelou a cidade do Rio de Janeiro; c) estimulou a economia regional, diversificando a agricultura no sul e intensificando a produção do charque no Rio Grande do Sul; d) desenvolveu a cultura do algodão, cotado para a indústria têxtil inglesa.
1810 - O Tratado de Methuen consolida a dependência de Portugal ao imperialismo inglês, através de uma série de privilégios para a Inglaterra, provocando protestos de portugueses e brasileiros: a) os produtos ingleses foram taxados na Alfândega (15%)com valores inferiores aos portugueses (24%); b) os moradores ingleses poderiam ser julgados no Brasil de acordo com as leis inglesas e por juízes da Inglaterra.
1816 - Anexação do Uruguai ao Reino Unido do Brasil, com o nome de Província Cisplatina, respondendo aos sonhos expansão da monarquia absolutista portuguesa e o medo dos revolucionários criolos que promoviam as Guerras de Independência das colônias espanholas.
1817 - Primeira experiência republicana no Brasil, com a insurreição de Pernambuco pela independência e formação de uma República. Os proprietários de terra, enfraquecidos com a crise do açúcar, aderiram e se uniram aos revolucionários (artesãos e trabalhadores urbanos), que formaram um governo com uma constituição provisória. O movimento foi esmagado e seus líderes enforcados e esquartejados.
1821 - A Revolução do Porto uniu as classes dominantes, os militares e os revolucionários portugueses, exigindo o fim da monarquia absolutista e a formação de uma Assembléia Constituinte, obrigando D. João VI, a voltar para Portugal e deixando no Brasil seu filho D. Pedro, como Príncipe Regente.
9 de janeiro de 1822 - O Dia do Fico, representa a decisão do Príncipe Regente de permanecer no Brasil, desobedecendo as novas leis vindas de Portugal, que extinguia a regência e exigia a volta de D. Pedro.
7 setembro de 1822 - A Independência do Brasil marcou o fim da tumultuado conflito entre as tentativas de Portugal para (re)colonizar o Brasil e deixou para depois a resolução dos imensos problemas da nova nação: a crise econômica, a guerra com Portugal, a necessidade de reconhecimento pelas nações estrangeiras e a elaboração da nova Constituição.
11 de agosto de 1826 - Após trezentos anos de inexistência de Universidades, e com uma população alfabetizada de apenas 3%, o Imperador criou, por Lei, duas escolas de Direito nos moldes da Universidade de Coimbra: a de Olinda, para atender à população do norte, transferida em 1854 para o Recife, e a de São Paulo, para atender a demanda do sul.
1824 - A opção de D. Pedro pelos conservadores provocou, em Recife, a "Confederação do Equador" que se espalhou por todo o nordeste.
1825 - A Inglaterra assinou um tratado com o Império brasileiro, no qual reconheceu a independência do Brasil, em troca da garantia de continuidade de seus privilégios no Brasil. Portugal também foi favorecido nesse tratado, pois o Brasil se comprometeu a pagar o empréstimo feito pelo governo português a Londres, para combater os nacionalistas brasileiros e indenizar o rei de Portugal pelas propriedades tomadas pela guerra.
1826 - Entrou em funcionamento o Parlamento previsto pela Constituição de 1824.
7/4/1831 - D. Pedro, após o confronto com os deputados liberais, abdicou em favor de seu filho, de 5 anos de idade, e voltou para a Europa.
1831 - Inicia-se a Regência, com o poder nas mãos dos liberais, que tentaram, com sucesso, o saneamento econômico do Brasil.
1834 - Ato Adicional, onde os liberais tentaram implantar uma reforma política que diminuísse o centralismo e aumentasse a autonomia do poder local, através de eleições em todas as cidades do país, onde saíram vitoriosos os candidatos liberais.
1835 - O monopólio do poder pelo partido vencedor nas eleições marginalizou da oposição, desencadeando revoltas em várias províncias, das quais as mais conhecidas foram a Revolta dos Cabanos, no Pará, e a Guerra dos Farrapos, no Rio Grande do Sul.
1831-1850 - Acirramento da luta contra o tráfico de escravos, resultado do confronto entre o Brasil, econômica e culturalmente assentado na escravidão, e as nações européias, que concretizaram suas revoluções burguesas e industrial e ansiavam por transformar os escravos em seus futuros consumidores.
1837 - A renúncia de Feijó marcou o término do breve período liberal e descentralizante e dos planos liberais de contenção ao tráfico de escravos e eliminação da sociedade escravista.
1840-1841 - Para conter a onda conservadora, os liberais lançaram a campanha vitoriosa da maioridade de D. Pedro II que, coroado, formou um Ministério liberal, substituído no ano seguinte por um conservador, inaugurando o costume de troca de Ministérios que vigorou até o fim do Império.
1842 - Revolução dos liberais que, com os conservadores se organizaram como partidos políticos.
1844 - Venceu o tratado que concedia privilégios aos ingleses, na vigência de um Ministério liberal, que aproveitou a oportunidade para aumentar a taxar os produtos ingleses, permitindo sanear as finanças e implantar algumas experiências industriais.
1845 - A Inglaterra aprovou o Bill Aberdeen, lei que permitia aos navios ingleses atacarem, em águas internacionais, navios brasileiros envolvidos com o tráfico de escravos. Com a intensificação da repressão ao tráfico, os ingleses passaram a atacar os navios nos portos brasileiros. A extinção do tráfico internacional, resultado de um acordo secreto entre os dois governos, não impediu que continuasse, por muitas décadas, o tráfico interno, onde os cafeicultores adquiriram os escravos do nordeste.
1850 - A promulgação da Lei de Terras aumentou o poder dos proprietários de terra e donos de escravos; ao proibir a posse da terra aos que nela já habitavam, expulsou os índios e posseiros que lá viviam desde os tempos coloniais.
1890 - Crescimento acelerado da população brasileira que, graças à imigração estrangeira, atingiu 14,3 milhões de habitantes.
13 de maio de 1888 - A assinatura da Lei Áurea, pela Princesa Isabel, foi o término de um processo para atender os interesses capitalistas da Inglaterra, que pleiteavam a abolição da escravidão no Brasil.
15/11/1889 - Proclamação da República, com o afastamento do Imperador e sem derramamento de sangue.
Década de 1890 - Incentivo à política de imigração estrangeira, para substituir a mão de obra escrava; 184 mil imigrantes chegaram ao Brasil, se dirigindo principalmente ao estado de São Paulo.
1891 - A Constituição deste ano criou um conflito permanente, por concentrar o poder no Presidente e, ao mesmo tempo, permitir uma grande autonomia dos Estados.
1897 – O massacre do movimento de Canudos pela tropas federais evidenciou o descolamento entre a República e o povo brasileiro. Esse movimento inspirou duas obras primas da literatura latino-americana: "Os Sertões" de Euclides da Cunha e "A Guerra do Fim do Mundo" de Mario Vargas Llosa.
1897 – Afonso Pena, Presidente da província de Minas Gerais, inaugura a cidade de Belo Horizonte, com projeto Aarão Reis, nos moldes do urbanismo republicano.
1889-1930 - Período conhecido como "República Velha", caracterizado pela chamada política do café com leite, pela alternância no poder de representantes de Minas ou São Paulo. Priorizou o modelo agrário exportador e uma política contra a industrialização.
1904 – A Revolta da Vacina, movimento popular contra a vacinação compulsória, teve como antecedentes a remodelação da cidade do Rio de Janeiro, onde o Prefeito Pereira Passos expulsou os pobres que viviam no centro colonial, substituído pela moderna Avenida Central, inspirada no modelo aplicado em Paris pelo Barão de Hausmann.
1917-1922 – Crise e esgotamento da "República Velha", governada por uma elite agrária, quando a indústria sinalizava o novo dinamismo da economia e da sociedade. Neste período foram deflagradas as primeiras greves operárias, de ideário anarquista, duramente reprimidas pelo governo federal, que tratava a questão social como "Caso de Polícia".
1922 – Consolidação do Tenentismo, movimento que refletia a insatisfação dos militares e o desejo de participação das camadas médias.
1922 - Realizada Semana de Arte Moderna, em fevereiro, onde escritores e artistas brasileiros propõem a destruição da cultura europeizante e passadista.
1930 - A Revolução de 30 instaurou no Brasil um novo modelo de desenvolvimento industrial e urbano. A adoção desse modelo foi estimulada pelos efeitos, no Brasil, do crash de 1929, que derrubou os preços do café e de outros produtos brasileiros para exportação.
1930-1945 - Era Vargas" período do governo autoritário e centralizado do Presidente Getúlio Vargas, caracterizado pelo populismo, nacionalismo, trabalhismo e forte incentivo à industrialização.
11/11/1937 – O "Estado Novo", institucionalizou, de fato, o regime ditatorial, vigente desde 1930. A Constituição de 1937, inspirada no fascismo italiano, a "polaca", foi elaborada para ser uma Carta "livre das peias do democracia liberal" nas palavras do responsável por sua elaboração, o Ministro da Justiça Francisco Campos.
1942 - O torpedeamento de cinco navios mercantes brasileiros e as fortes pressões populares, obrigaram o governo brasileiro a se aliar aos Estados Unidos; foram organizadas as Forças Expedicionárias Brasileiras (FEB), que enviaram soldados para combater ao lado dos aliados.
1945 - Com a onda democratizante do pós-guerra, Vargas organizou os partidos, por decreto e sob forte controle; os dois maiores partidos, o Partido Social Democrata (PSD) e o Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), articularam uma aliança nacional que durou quinze anos.
1945 – Nas primeiras eleições após a guerra foi eleito presidente Eurico Gaspar Dutra pelo PDS.
1946 – Após a instalação de uma Assembléia Nacional Constituinte, que elaborou uma nova Constituição que restabeleceu os direitos individuais, aboliu a pena de morte, devolveu a autonomia de estados e municípios com independência dos três poderes – Legislativo, Judiciário e Executivo. Estabeleceu as eleições diretas para Presidente, com mandato de cinco anos.
1947 – Sob fortes pressões da Guerra Fria o Brasil decretou a ilegalidade do Partido Comunista Brasileiro (PCB), cassou parlamentares desse partido, fechou a Confederação Geral dos Trabalhadores (CGT), interveio em centenas de sindicatos e rompeu relações diplomáticas com a União Soviética.
1950 – Getúlio Vargas, eleito Presidente pelo PTB, deu continuidade a uma política nacionalista, populista e pró- industrialização:
a) enviou ao Congresso o projeto para a criação da Petrobras e ; b) flexibilizou as relações sindicais permitindo a Greve dos 300 Mil; c) criou o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDE) e limitou em 10% a remessa de lucros para o exterior. .
1938-1950 - Urbanização das grandes capitais do sudeste brasileiro, decorrente da industrialização e das migrações rurais urbanas.
1954 - A política de Vargas provocou a reação da oposição conservadora, liderada pela União Democrática Nacional (UDN). Com as palavras "Saio da vida para entrar na história" o Presidente Vargas se suicidou e tomou posse o Vice João Café Filho.
1955 - Juscelino Kubitschek (JK), vitorioso nas eleições para presidente, pelo PSD, criou o Plano de Metas e consolidou o Modelo Desenvolvimentista.
1956 - JK envia ao Congresso Nacional o projeto para construção da nova capital brasileira, Brasília.
01/04/1964 - Os militares tomaram o poder e, através de um ato institucional, iniciaram uma perseguição a todos que fossem considerados como ameaça ao regime.
1967 – Elaborada a sexta Constituição no Brasil, que institucionaliza o regime militar. O general Artur da Costa e Silva elimina a Frente Ampla, movimento político liderado pelos ex-presidentes João Goulart e JK e pelo ex governador da Guanabara, Carlos Lacerda.
1968 – A morte do estudante Edson Luís, em protesto estudantil, mobilizou estudantes e populares que, com o apoio da Igreja Católica, realizaram a Passeata dos Cem Mil. Ao mesmo tempo ocorrem as greves de Contagem e Osasco e surgem focos de luta armada. O regime endureceu, fechando o Congresso Nacional e decretando o Ato Institucional no 5, que institucionaliza a repressão.
1969-1974 – Governo do general Garrastazu Medici, considerado o período mais brutal da ditadura militar brasileira, também conhecido como anos de chumbo. A área econômica é caracterizada por projetos faraônicos, como a construção da Transamazônica, estrada inacabada, até os dias de hoje, que invadiu terras indígenas e produziu degradação do meio ambiente.
1975 – A sociedade civil começa a se movimentar; os intelectuais e acadêmicos fizeram duras críticas ao regime no SBPC ( Congresso Brasileiro para o Progresso das Ciências); os movimentos populares pediram melhores condições de vida nas cidades;
1974-1979 – O general Ernesto Geisel assume a Presidência e encarrega o General Golberi dio Couto e Silva para desenhar um processo de abertura lenta, gradual e segura.
Década de 1980 – Considerada a década perdida no âmbito econômico, foi a década achada no sentido político: a) nas eleições para governadores, em 1982, os candidatos da oposição, do MDB, saíram vitoriosos nas principais metrópoles brasileiras; b) a sociedade brasileira se movimentou, ocupando todas as capitais brasileiras, exigindo eleições diretas para Presidente, no movimento conhecido como " Diretas Já".
1985 – Se encerrou a primeira fase da Transição Democrática brasileira, com a saída dos militares do governo, depois de 21 anos, e a eleição (indireta) de Tancredo Neves, que morre antes de tomar posse, assumindo o Vice Presidente José Sarney.
1985- 1989 – A Nova Republica marcou, no plano político, a consolidação da abertura democrática, no processo de transição mais longo da América Latina. No plano social significou a diminuição da repressão, ao permitir a expressão de demandas há tanto tempo reprimidas. No plano econômico o período é caracterizado por uma inflação galopante e pelo "Plano Cruzado, a primeira tentativa (fracassada) de estabilizar a moeda.
1987-1988 – Abertura da Assembléia Nacional Constituinte e promulgação da Constituição de 1988.
1990 - Primeiras eleições diretas para Presidente, onde se enfrentam no segundo turno, Fernando Collor de Mello e Luíz Inácio da Silva (o Lula), do Partido dos Trabalhadores (PT).
1990-1992 - O candidato vitorioso, Fernando Collor iniciou seu governo com o confisco das contas correntes e da poupança de toda a sociedade brasileira e apresenta um ambicioso programa de estabilização da economia, o "Plano Collor". Com o fracasso do Plano volta a inflação galopante e se agrava a recessão, presente desde a década anterior.
1992 – Acusado, por seu próprio irmão, de envolvimento em esquema de corrupção, o Presidente foi investigado por uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI). Ao mesmo tempo os "caras pintadas" saem às ruas exigindo o impeachment de Collor, que é afastado pelo Congresso, assumindo o Vice Itamar Franco.
1994 - O novo presidente Itamar Franco, nomeou o senador Fernando Henrique Cardoso para Ministro da Fazenda; foi criado o Plano Real que visava a estabilização da moeda. Nas eleições desse ano se enfrentam, no segundo turno, Luíz Inácio da Silva do PT e Fernando Henrique Cardoso (FHC), do PSDB, que sai vitorioso.
1995- 1998 – Para concretizar a estabilidade econômica a sustar a crise fiscal do Estado, causada pelas dívida externa e interna, foram desencadeadas as reformas constitucionais. Ao mesmo tempo, foi derrubado o monopólio em vários setores, como o petróleo, a telecomunicação, gás canalizado e a navegação de cabotagem.
1998 – Fernando Henrique Cardoso é reeleito para mais um mandato de 4 anos.
2002 – Elege-se o candidato do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, em sua quarta disputa à Presidência da República.
2010 – Elege-se a primeira mulher presidente do Brasil Dilma Rousseff
























objetivo do grupo

Este grupo busca apresentar algumas contribuições para a pratica docente e a formação de educandos sobretudo, no tocante ao ensino de história. Desta forma a rede mundial de computadores torna-se um espaço indispensável para este processo.

Tablets: Inovando a sala de Aula



Sucesso mundo afora, os tablets chegam às escolas brasileiras este ano e devem enfrentar a resistência de professores

Confira o artigo de Cristina Romanelli (1/6/2012), publicado na Revista de História

Imagine uma escola sem quadro-negro, em que os alunos não copiam as matérias à mão, não fazem provas impressas, nem precisam carregar livros e cadernos pesados. Eles recebem todo o conteúdo das aulas pela Internet, têm acesso a mapas interativos de diferentes épocas e respondem a questionários virtuais com pontuação instantânea. Este cenário parece um filme futurista, mas já é realidade em algumas escolas norte-americanas, onde todo o material necessário para a aula está no tablet, um intermediário entre o laptop e osmartphone – celular que se conecta à Internet. Nos últimos meses, o aparelho com cerca de meio quilo começou a ganhar espaço em países como Índia, Tailândia, Coreia do Sul e... Brasil. Por aqui, a maior novidade é a decisão do Ministério da Educação (MEC) de investir cerca de R$ 150 milhões na compra de 600.000tablets, que serão entregues no segundo semestre a professores do ensino médio de escolas públicas. Os alunos de Pernambuco já estão recebendo 156.000tablets, e os de São Paulo, a partir de 2015, devem ganhar tablets, laptops ou outro aparelho que surja até lá.
No Rio Grande do Sul, os investimentos são mais cautelosos. A Secretaria de Estado da Educação (Seduc) acaba de criar um projeto piloto na Escola Estadual de Ensino Fundamental Stella Maris, em Alvorada, região metropolitana de Porto Alegre. “Estamos avaliando se é melhor distribuir os tablets a alunos ou a professores, e não sabemos se este será o aparelho usado no futuro. De qualquer modo, o investimento é inadiável. Os professores que não levam a sério o uso de tecnologia são omissos em dialogar com o mundo em que as crianças vivem”, afirma Ana Cláudia Figueroa, diretora do Departamento de Logística e Suprimentos da Seduc. Por enquanto, somente a professora de Ciências, Joseane Níquel, que já tinha conhecimento prévio, está fazendo experiências com os alunos. “O atrativo para eles é poder tocar o tablet, então busco sites interativos. Meu aparelho vai rodando pela sala, o que leva tempo, mas compensa. Estamos na era da informática. Por mais pobres que sejam, as crianças têm acesso a um computador ou celular”, conta Joseane.  
Algumas escolas particulares também entraram na onda tecnológica. No Rio de Janeiro, a Rede MV1 ofereceu aos alunos do ensino médio a opção de adquirir o material didático em versão para tablet. “O conteúdo sai pelo menos 30% mais barato do que no papel. Em breve, vamos investir também na criação de aplicativos, principalmente visando à preparação para o Enem”, explica Michelle Portugal, diretora de Marketing da rede.
Ainda que a expansão do uso dos tablets seja recente, o investimento em tecnologia não é nenhuma novidade. Pelo menos desde 1997, o MEC instala laboratórios de informática nas escolas públicas por meio do Programa Nacional de Tecnologia Educacional. Essa e outras iniciativas podem ser grandes aliadas no ensino de História. “Há quem diga que cerca de 90% das fontes históricas estarão na Internet daqui a 40 anos”, afirma Beth Holland, consultora daEdTechTeacher, empresa que oferece cursos como o workshop Teaching History with Technology (Ensinando História com Tecnologia) a professores nos Estados Unidos. Para Beth, que fez mestrado em Tecnologia, Inovação e Educação na Universidade de Harvard, o livro digital, ou e-book, terá papel importante nesse processo. “Se o e-book inclui conteúdos fundamentais, várias atividades interativas e permite que alunos e professores se conectem e compartilhem dados, não é possível que ele se torne essencial para o aprendizado em sala? Nós vamos abraçar ou lutar contra esse cenário?”, questiona.
Para quem sabe inglês, já existem muitos aplicativos disponíveis na Internet. E vem mais por aí. A norte-americana Apple anunciou em janeiro que cerca de um milhão e meio de iPads, produzidos desde 2010, estão sendo usados em instituições de ensino pelo mundo. A empresa entrou este ano no mercado de livros didáticos digitais e lançou o aplicativo iBooks, que permite a qualquer um criar livros com galerias de fotos, filmes, objetos em três dimensões e apresentações interativas. Outros aplicativos interessantes têm um calendário com os principais eventos históricos de cada dia e até detalhes da Guerra de Secessão (1861-1865), com mais de 1.000 fotografias, apresentações multimídia, mapas e artigos.
Mesmo com todas essas vantagens, os tablets despertam algumas preocupações. Para Silvana Vargas, chefe do Departamento de História do Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro, um dos riscos é afastar os professores da elaboração de conteúdos. “Esses aparelhos oferecem possibilidade de trabalho interessante na pesquisa dirigida, em atividades com jogos digitais e com imagens em movimento. Mas, por trazerem materiais prontos, podem dissociar os professores da produção didática. Sugestões e indicações são sempre bem-vindas, mas em um contexto de apropriação coletiva e de transformação”, diz.
No entanto, segundo Cristiane Costa, coordenadora do curso de Jornalismo da UFRJ e criadora do curso Publishing Management na Fundação Getulio Vargas, não é difícil produzir conteúdos, ainda que enriquecidos com mídias.  “Teremos cada vez mais possibilidades, como os livros digitais chamados enhanced books. Eles têm links, vídeos interativos, permitem uma experiência completamente diferente e são simples de fazer. Não vai existir conteúdo sem tablets, nemtablets sem conteúdo. Alguém tem que dar o primeiro passo. Começam a surgir iniciativas voltadas para a educação no mercado nacional de e-books e já existem muitos livros em domínio público. Sem contar que a Amazon e a Apple estão se instalando no Brasil, então tudo deve baixar de preço em breve”, defende ela.
A maior inquietação parece ser quanto à metodologia utilizada em aula. Afinal, treinar professores e comprar equipamentos não garante que a tecnologia vá contribuir para a melhoria do ensino. Então, como fazer com que o tablet não seja apenas o quadro-negro do século XXI? “Nas mãos do 'desavisado' professor, o aparelho é apenas um giz diferente. Na verdade, o mais importante não mudou e dificilmente mudará: as metodologias, o ambiente e as formas de ensino. Embora existam autores mais entusiasmados, as tecnologias não têm dado conta de melhorar efetivamente o aprendizado”, diz o pedagogo Lúcio Eduardo Darelli, que desenvolve tese no programa de Engenharia e Gestão do Conhecimento da UFSC e é um dos fundadores do primeiro telecentro (uma espécie de laboratório de informática comunitário) da América Latina, em Brusque, Santa Catarina.
O tablet também vai enfrentar resistência daqueles que julgam não ser este o melhor momento para tamanho investimento em tecnologia. Há críticas às atuais condições das escolas e dos professores, que ainda não estariam aptos a lidar com a novidade. “Esses instrumentos são muito bem-vindos, mas os professores não estão preparados. Muitos aqui sequer levam os alunos às salas de informática, porque não sabem mexer nos computadores. A maioria dos professores está sobrecarregada e não tem como se atualizar nas tecnologias. O interesse de muitos não chega nem à biblioteca”, critica Maria de Lourdes Gonçalves, professora de Filosofia em uma escola estadual de São Paulo.
A professora de História Séphora Freitas, da rede estadual de Pernambuco, faz reclamações parecidas. “Temos turmas superlotadas, sem ventilação suficiente, e professores sem formação continuada, que fazem jornadas duplas ou triplas para compensar o salário. Quando tivermos profissionais valorizados e salas confortáveis, o tablet será bem-vindo”, afirma. Séphora denuncia o descaso com aparelhos de televisão, de DVD e com computadores, que estão frequentemente quebrados. Como então será a manutenção dos milhares de tablets? Como controlar o uso dos alunos em sala? Estas são questões que continuam sem resposta.
Em meio a tantas incertezas, a chefe do Departamento de História do Colégio Pedro II acredita que ostablets não podem substituir o livro. “Os tablets podem ser usados como material de trabalho acessório, mas não único, pois existem métodos de motivação em que uma pergunta pode causar mais impacto do que muitos equipamentos”, diz Silvana.
Talvez o investimento somente em tecnologia seja uma ilusão. Ainda no início do século XX, Thomas Edison (1847-1931), inventor da lâmpada elétrica, havia anunciado que os filmes, novidade na época, substituiriam os livros. Um século depois, os tablets aparecem com ares de revolução. Mas o investimento em objetos ainda não pode substituir o que é fundamental na área: pessoas capazes de refletir sobre conteúdos.